advogado 4.0

  Qual o perfil do advogado 4.0? Saiba como se capacitar

Daniel Becker Postado em 25/10/2019

A crescente popularização de ferramentas digitais e a constante eclosão de inovações tecnológicas exigem que todos os profissionais repensem as suas estratégias de interação com seus respectivos públicos. Nesse contexto, o surgimento do advogado 4.0 é a resposta adaptativa natural desse profissional à velocidade com que as mudanças ocorrem.

Clientes em potencial estão, a cada instante, conectados e determinados a resolver seus problemas em uns poucos cliques. Buscam em seus advogados, portanto, uma forma de comportamento coerente com essa nova realidade, fazendo com que o relacionamento seja cada vez mais digital.

Compreender essa dinâmica implica na incorporação da tecnologia nos serviços prestados pela advocacia e na reinterpretação de sua prática enquanto advogado. Dito de outra forma, as comunicações devem ser menos herméticas, uma vez que os clientes anseiam por entender seus direitos a partir das facilidades digitais que os cercam.

Pensando nisso, apresentamos o perfil do advogado no contexto desse novo direito. O objetivo é ajudar você a se posicionar melhor na quarta revolução industrial e, assim, obter melhores resultados. Boa leitura!

As características do advogado 4.0

Diante desse “tsunami” de inovações no setor jurídico, é imprescindível que os operadores do Direito compreendam a premente necessidade de imediata capacitação e atualização. Somente assim poderão visar se converter em genuínos advogados 4.0.

Esses profissionais (agora, também, adjetivados como “digitais”), devem conciliar a sua expertise jurídica com novos aprofundamentos na área da programação, robótica e ciência de dados, por exemplo.

Os advogados digitais devem, também, entender que as tecnologias levam novas demandas a cada tribunal. Há, portanto, uma imperiosa necessidade de buscar especializações condizentes a esse contexto, com especial destaque às reflexões proporcionadas pelo chamado Direito Digital.

Os limites legais das criptomoedas, as questões trabalhistas relacionadas às automações, as novidades no campo da perícia forense computacional são, apenas, alguns exemplos de conhecimentos que o profissional do novo direito precisa dominar.

Novos modelos de gestão para os escritórios de advocacia

Novas metodologias e modelos de negócio abalam constantemente os atuais ambientes de atuação. Isso evidencia o quanto a área jurídica permaneceu estagnada nos últimos períodos.

Não obstante, os escritórios que já perceberam a necessidade de constituir equipes multidisciplinares, isto é, não exclusivamente focados em Direito, inserem-se com mais vigor no contexto da advocacia 4.0.

As denominadas estruturas piramidais passam a adotar formatos nos quais é comum a atuação de profissionais familiarizados com as soluções tecnológicas e dotados de conhecimentos relativos à gestão de projetos (tratam-se de profissionais que não são, necessariamente, bacharéis em Direito).

Todas essas transformações nos modelos de negócios dos escritórios de advocacia se fazem necessárias por uma razão bastante prática: atender aos novos perfis de consumidores de serviços jurídicos.

Democratização dos conhecimentos jurídicos

A amplidão dos fluxos comunicacionais e a digitalização das informações engendram uma curva singularmente rápida de precarização dos conhecimentos. Em outras palavras, será cada vez mais complicado transmitir as mesmas teses e os mesmos conhecimentos por um longo tempo.

Ineditismo e velocidade de interpretação

Estamos em meio a um mundo que pressupõe um acesso praticamente infinito aos conhecimentos. Nele, os valores passam a residir “no processador e não no HD”.

A nuvem é a nova memória, agindo para o nivelamento da maior parte dos profissionais. Interpretar e analisar na velocidade dos acontecimentos: eis um dos mais relevantes valores do advogado 4.0.

Em certo sentido, a própria advocacia se assemelhará com a mineração de bitcoins, na qual um problema, ao ser lançado na rede, rapidamente encontra um player capaz de solucioná-lo em menor tempo, recebendo mais por conta disso.

Decadência dos argumentos baseados na autoridade

Em um contexto no qual há, conforme mencionado, um nivelamento em larga escala de conhecimentos, os argumentos de autoridade deixam de existir. Desse modo, a legitimidade e, sobretudo, a racionalidade dos argumentos devem preponderar por meio de construções lógicas, dados verificáveis e propagações adequadas.

Design e criatividade

Os desafios que estão postos diante de nós não encontram precedentes históricos, de modo que ensejarão soluções criativas. A habilidade de reproduzir competências prévias será drasticamente reduzida, sendo preciso criatividade para desenhar alternativas inéditas para questões, em grande medida, inesperadas.

Agilidade na resolução de disputas

Os litígios serão, cada vez mais, observados como perdas de recursos e de tempo. Em uma sociedade altamente acelerada, crescerá ainda mais a pressão por resoluções de conflitos e disputas por meios alternativos.

Acesso, relevância e empatia

Os advogados precisam se converter em “APIs abertas”, conectando-se com outras plataformas para viabilizar um rápido tráfego de informações e, consequentemente, a agilidade da resolução das questões colocadas.

Isso significa conectar-se constantemente com seus pares (outros escritórios e advogados), com profissionais oriundos de outras áreas (aplicação da multidisciplinaridade) a fim de se beneficiar da diversidade de conhecimentos, com o Estado (de forma republicana e ética), com influenciadores, com grupos de interesse e, principalmente, com os clientes.

Para tanto, a capacidade de incrementar sua relevância e empatia passa a ser elemento fundamental. Em uma realidade na qual há abundância de informações, compromissos e conexões, a briga por audiência coletiva e individual passa a ser mais uma das pautas da advocacia. Logo, não poderá ser negligenciada.

Conexão, abstração e capacidade analítica (data driven)

Além do papel central dos fluxos de informação, a advocacia 4.0 implica:

  • na capacidade de se vincular às novas questões, a partir do pleno entendimento dos desafios que são vivenciados pelas empresas e sociedades;
  • na capacidade de abstração, distanciando as ideias dos objetos em questão;
  • no desenvolvimento de perspectivas analíticas amplamente fundamentadas em informações fidedignas.

Nesse cenário, é preciso mergulhar em cada desafio, emergindo à superfície (abstração) para solucioná-los e se pautar em dados e números (cultura data-driven).

O que fazer para alcançar esse novo perfil profissional

Há algumas atitudes que, embora simples, podem colocar você no caminho certo para se tornar um advogado totalmente preparado paro o século XXI. Ao buscar incrementar a sua capacitação profissional por meio de cursos direcionados ao novo direito, você obterá as condições necessárias para se manter sempre atualizado acerca da modernização de sua própria carreira.

Ao se beneficiar das oportunidades de aprimoramento, você poderá, por exemplo, utilizar as diversas plataformas online para facilitar as suas atividades. Seja gerenciando o seu escritório, seja assinando contratos digitais ou realizando reuniões via internet, você estará apto a utilizar recursos que otimizarão significativamente muitas tarefas essenciais para um advogado 4.0!

Gostou do artigo? Então, assine a nossa newsletter e se mantenha atualizado a respeito das recentes mudanças do Direito no Brasil e em todo o mundo!

Torne-se protagonista. Seja um New Lawyer
Fique por dentro de como o Direito está mudando no Brasil e no Mundo.
Receba nossa Newsletter.