Como fazer marketing pela internet sem violar as normas da OAB?

O marketing jurídico digital é o meio mais eficaz para gerar engajamento e atrair potenciais clientes para seu escritório. Mas, como fazê-lo sem infringir as normas da OAB?

Um assunto recorrente entre os advogados, cuja temática abrange todas as esferas do Direito, é a de como fazer marketing pela internet, a fim de prospectar clientes sem ferir as normas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Segundo Cadu Mourão, analista de marketing, bacharel em Direito pela UFMG e líder em negócios inovadores pelo MIT, é possível hoje, especialmente agora durante a pandemia, fazer uma abordagem publicitária e se projetar no mercado com branding pessoal.

Uma coisa importante que pouca gente se atenta é que o marketing jurídico “antecipou” a forma como se faz marketing de conteúdo. Isso porque ele possui um caráter mais informativo do que de vendas diretas de modo geral ou com apelo a imagens, como no inbound que vemos por aí, pois sua procedência nasce do conteúdo com “apelo à autoridade”.

A ideia geral de um conteúdo pautado no inbound marketing é atrair o potencial cliente através da geração de conteúdo relevante para ele no momento em que há procura. No caso do marketing jurídico não poderia ser de outra maneira, isso porque na Era da Internet, o que manda é a autoridade que se tem sobre determinado tema ou determinada área.

Tomemos o Google por exemplo, o novo “pai dos burros”. Todo mundo que tem dúvida acerca de tal ou qual assunto hoje em dia recorre a ele. E a resposta que o usuário terá, ato contínuo, será àquela cuja conclusão seja a mais completa e satisfatória tanto para o Google quanto para o usuário.

Logo, o marketing jurídico hoje deve-se pautar por inbound marketing, conteúdo de caráter informativo, posicionamento de sites e blogs, interação nas redes sociais com clientes e pares que você tenha em sua seara jurídica etc.

O marketing e as leis

A advocacia está explicitamente tratado na Constituição Federal de 1988. Na Carta Magna (CF/88), os dispositivos legais dizem que o exercício legal da profissão é imprescindível para o fomento do direito. 

Já sobre o papel do advogado, no artigo 133, lê-se que ele “é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.”

O que ocorre muitas vezes é que outros dispositivos legais podem deixar profissionais de advocacia preocupados, pois tratam especificamente sobre a publicidade da profissão, como por exemplo o Estatuto da Advocacia e da OAB, instituído pela Lei 8.906/94, no Código de Ética e Disciplina vigente, e pelo Provimento 94/2000, do Conselho Federal da OAB.

O Código de Ética da OAB, por exemplo, diz em seu quinto artigo que a advocacia não deve, de modo algum, ser mercantilizada. Este clamor ético, aliás, é um fato histórico na advocacia brasileira, mas não é por isso, todavia, que não se deve explorar a publicidade neste meio.

Isso porque a advocacia, com qualquer outro ramo, constitui uma troca efetiva de serviço, uma prestação nobre a qual tem-se assegurada a conduta em diversas leis.

Marketing jurídico na prática

Até hoje, tem-se muitos advogados que possuem resistência e por vezes até medo de usar as redes sociais e a internet de modo geral para bom usufruto da profissão, mantendo-se eles de modo analógico e antigo enquanto o mundo se atualiza e avança tecnologicamente.

Vamos conhecer algumas formas de se fazer marketing jurídico? Pois bem, há várias maneiras de fazê-lo. Por exemplo: usar redes sociais com uma bio que exponha quem é o advogado por trás da tela, interação com o público, conteúdo sempre informativo com localização de escritório, áreas de atuação a qual o advogado trabalha etc.

A ideia é sempre levar informações relevantes para seus parceiros de negócios e seus possíveis clientes. A publicidade no meio jurídico, segundo especialistas, não é para se exibir, seja com sua carteira de clientes, seja com o  tamanho de seu escritório. Aliás, isso é vedado por várias decisões dos tribunais de ética e disciplina.

O que se quer com marketing jurídico é simplesmente dizer para as outras pessoas: “olha, eu domino muito bem isso aqui, logo posso te ajudar”, para, deste modo, angariar audiência e fazer com que este público saiba que você tem expertise. Isso fará com que a contrapartida deles agregue valor ao seu trabalho – inclusive monetariamente.

Novas tendências jurídicas

A internet trouxe-nos diversas novidades. Para todos, sem exceção. Profissionalmente, foi o home office. Este modelo de trabalho ajuda as empresas a reduzirem custos de alugueis de espaços físicos e gastos com transporte para funcionários, dentre outros benefícios.

A advocacia segue as mesmas regras: os escritórios a tendência é que espaços físicos tenham cada vez menos importância por conta do trabalho remoto e que os ativos de escritório seja cada vez menos vistos, isso porque que os clientes querem aquilo que os profissionais são, não o que possuem. 

Segundo Paulo Lépore, Pós-Doutor em Direito e autor de mais de 200 livros, além de Diretor de Marketing do New Law, pelo escritório virtual pode-se ter mais interação e conectividade com clientes do Brasil inteiro. Muitos advogados, aliás, já pensam em abandonar seus espaços físicos após a pandemia para se dedicarem ao modelo virtual de atendimento, bem mais abrangente. 

A mensagem de Lépore é uma só: não tenha medo, se vc souber construir um marketing de conteúdo forte e um perfil social o seu escritório, cuidando do seu perfil digital como se fosse seu cartão de visita, poderá se dar bem. 

Isto é, qualquer um que quiser se firmar no mercado hoje em dia, consegue com um uma boa estratégia e quem não conseguir, será derrotado, visto que as relações humanas, todas elas, mudaram. E a new law também está mudando, vide novas searas do direito que estão surgindo, como o direito digital, por exemplo.

Outra dica é largar de uma vez por todas o famoso juridiquês. O bom advogado de hoje  é aquele que transmite sua mensagem com clareza e assertividade, capaz de trazer o cliente para junto de si e resolver seus problemas.

Imagine se você fosse ao médico e ele começasse a te diagnosticar usando só termos e jargões médicos atinentes à prática das ciências médicas ao invés de dizer às claras o que você tem e precisa para ficar são.

Com certeza você falaria para ele ser mais claro naquilo que é da sua importância, a saúde. É isso que os clientes pensam quando um advogado fala rebuscado e com juridiquês: que ele quer ser informado de algo e que resolvam algo que ele precisa. Afinal, ele está pagando pelo seu trabalho.

No marketing jurídico é a mesma coisa. Quando fazemos uma pesquisa no Google, por exemplo, o buscador encaminha a resposta mais eficaz e direta para o usuário. Se você escreve um post rebuscado, ininteligível e com palavras cheias de juridiquês, você jamais será ranqueado, ou seja, nunca irá alcançar as primeiras páginas nos buscadores da internet.

Neste caso, você estará escrevendo para os seus pares e nada mais. Somente eles o lerão, porque, para os outros, seu artigo soará vaidoso e arcaico. Logo, seu conteúdo deve abranger temas comuns e que qualquer um poderá ter acesso.

A solução então é projetar seu conteúdo para resolver o problema de quem o procura. Muitos advogados têm medo de “entregar o ouro”, de não dizer aquilo às claras sobre o problema da pessoa. Isto é, por vezes os profissionais têm medo de o cliente não o procurar posteriormente a fim de resolver seu litígio.

Porém, se você for franco e aberto, e mais, mostrar-se profissional e expert naquilo que ela necessita, com certeza ela o procurará para resolver um problema ou para receber uma assessoria, fazer uma minuta etc. Você será lembrado e bem pago pelos seus serviços porque você demonstrou que é bom naquilo que faz. Ou mesmo ganhará a indicação da pessoa.

Detalhes que fazem a diferença no marketing jurídico

Detalhes na produção de seu conteúdo podem ser feitas baseadas no dia a dia. Peguemos casos simples. A lei veda uma coisa importante: preservação da identidade dos clientes e sigilo profissional do advogado, certo?

Porém, você, ao criar seu conteúdo informativo, pode pegar um caso com o qual você trabalhou e que muitos têm a mesma dúvida. Ou então explorar aspectos de erros de tipo no direito penal de um caso midiático em evidência. São muitas as possibilidades para você destrinchar detalhes ao construir seu conteúdo jurídico.

Mas pense sempre qual seu público, a quem direcionar seus textos. Todo o marketing hoje em dia é  segmentado por personas, ou seja, a personificação de potenciais clientes ou audiência selecionada.

Quantos escritórios de advocacia atualmente não pagam anúncios como por exemplo o Google ADS e perdem rios de dinheiro? 

Assim,há de se focar em um nicho (empresarial, família, cível, criminal) e construir sua presença online através dele. Crie seu público de forma orgânica e tenha leitores que engajem seus posts e que em breve virarão clientes ou que indiquem seu trabalho. 

Um dos melhores lugares para criar audiência engajada é o JusBrasil. Lá, de forma natural seus artigos podem ser lidos e comentados tanto por pessoas ligadas ao direito propriamente dito quanto por aqueles que fazem perguntas no Google “People Also Ask”, as pessoas também perguntam, em tradução literal).

Assim, você, respondendo aos anseios delas, criará confiança e espírito de expertise naquilo do qual trata. Um exemplo é um dos artigos mais visualizados no JusBrasil: o caso da árvore de um vizinho que invadiu o espaço do outro que morava ao lado. A questão era o que se pode fazer naquela situação. Este artigo, aparentemente bobo, tem nada mais nada menos do que 68,7K de visualizações. É disso que estamos falando.

Por lei, pode-se fazer links patrocinados para a advocacia?

A ideia de links patrocinados é abundante hoje em dia. Também conhecido por PPC (pay-per-click, “pagamento por clique”, em tradução literal) eles são anúncios pagos sob a forma de hiperlinks, ou seja, você clica no anúncio e cai em um site específico ou página de captura (landing pages). Os links patrocinados são exibidos nos resultados de mecanismos de busca como o Google e comumente vêm antes dos links orgânicos e também ao final deles.

Em qualquer lugar no mundo que você for, e digitar “advogado”+cidade você terá nos mecanismos de busca pelo menos 3 ou 4 anúncios na primeira página, independente do buscador, seja ele Google, Bing, Yahoo!, Duck Duck Go.

Este tema, porém, é delicado. Afinal, o advogado ou escritório pode ou não patrocinar links? Depende.

No Brasil o tema é controverso e varia por seccionais. Até a presente data o Conselho Federal da OAB ainda não possui posicionamento acerca do tema. Tampouco o Provimento 94 do Código de Ética da Ordem de 2015 e suas respectivas atualizações tratam desta questão, cabendo aos tribunais as decisões acerca da matéria.

Além disso, alguns tribunais entendem que a prática de Adwords (ADS) é uma forma ética e válida de prospecção de clientes, por exemplo a seccional de São Paulo, ao passo que outras seccionais, a exemplo do Distrito Federal e Espírito Santo, consideram de certo modo como infração de ética.

O que se sabe, contudo, é que é irreversível a forma como se cria marketing na área jurídica hoje em dia. A internet não voltará atrás, principalmente pelos fatores comodidade, comunicabilidade e economia.  

Para tanto, daremos a seguir algumas dicas para você entender como iniciar sua estratégia, ou, se você já faz marketing digital para seu escritório, para acertar mais ainda sua tática.

Dicas para você pôr em prática agora mesmo!

Para você ficar por dentro de como fazer marketing jurídico com assertividade e eficácia, aqui vão algumas dicas. 

– O primeiro passo é a tomada de decisão: criar conteúdo jurídico relevante, sempre com assertividade e sem juridiquês;

– Deixe claro para as pessoas qual sua especialidade: família, cível criminal etc., aprofundando-se em temas correntes, temas procurados pelas pessoas; 

– Se o senso comum diz para você começar advogando “em todas as áreas”, hoje em dia isso se constitui uma grande falácia, um paralogismo. Isso porque o mercado busca pessoas cuja identidade é a de especialista, não alguém que “atira para todos os lados”;

– Tenha uma identidade própria que mostre para as pessoas quem você é. Mostre isso em seu perfil e sua bio nas redes sociais, com uma boa foto e descrição;

– Tenha ideias para criar artigos e, se não as tiver, espelhe-se naqueles que possuem maior audiência. Um bom exemplo foi o artigo do JusBrasil citado acima. Veja quem tem mais engajamento nas redes sociais, no YouTube, blog etc. Use isso mas não copie, remodele, sempre dando um passo a mais, aprofundando o tema e aprimorando a linguagem de modo simples;

– Utilize hashtags, palavras-chaves e tags, utilizando sempre as mais procuradas;

– Links patrocinados como o Google ADS não substitui ranqueamento orgânico. Não só porque existe divergências dos tribunais, mas por este último, cresce-se naturalmente e o custo é gratuito; 

– Tenha seu site pessoal (de preferência .com.br que é a forma correta de uma URL no Brasil). Sites que não tenham estes caracteres dão a impressão de serem menos profissionais;

– Não tenha medo da sua exposição, você é um advogado. Diga o que você faz e como trabalha para ajudar as as pessoas;

– Não abandone suas redes sociais, mas ao contrário, crie contato humano;

– Seja sempre franco e honesto em seu conteúdo, pois muitos desistem de fazê-lo;

–  Use  o trabalho do seu dia a dia para gerar posts. Casos, dificuldades, opiniões e dúvidas de clientes são o meio mais fácil de criar conteúdo natural;

– Faça o passo a passo que dissemos neste post sobre o uso do JusBrasil; 

– Ressalte pontos que outros não colocaram em seus conteúdos. Desta forma, aprofundando tudo isso, você irá granjear tráfego orgânico e audiência qualificada;

– Gere autoridade e mantenha sua essência ao escrever. Como a internet é democrática, em breve você será lido e admirado por leitores de todo o país e, em vista disso, atenderá clientes das mais diversas regiões do país;

– Comente coisas objetivas sobre mudanças na lei. Se possível, crie artigos sobre decisões ou modificações sobre tais ou quais dispositivos legais. Se não der, faça pelo menos um breve comentário nas redes sociais, assim todo mundo vai te procurar quando você publicar algo novo e irão acompanhar teu trabalho de forma contínua;   

– Faça a mentoria de marketing jurídico do New Law para aprender com profissionais capacitados que conhecem a seara publicitária e jurídica. Na mentoria do New Law, você descobrirá técnicas úteis para se destacar da multidão e fazer seu escritório de advocacia decolar porque, usando a internet e mesmo sem ser um expert em tecnologia, você será capaz de criar um branding competitivo. Ao final da mentoria, já se sentindo capacitado, você dará os primeiros passos rumo à captação de clientes e se sentirá naturalmente confortável para criar seu próprio content marketing na área jurídica, atraindo e fidelizando clientes.

Descubra os temas que serão abordados na mentoria do New Law:

  • Passo a passo para começar a fazer Marketing Jurídico;
  • Atração de clientes sem violação às normas da OAB;
  • Geração de conteúdo atraente e viral para redes sociais;
  • Construção de marca e gestão de reputação;
  • Técnicas para ser encontrado pelos mecanismos de busca da internet;
  • Contratos advocatícios e precificação de serviços;
  • Atendimento e fidelização de clientes.

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