Data-driven: entenda como ele funciona na área jurídica

Data-driven: entenda como ele funciona na área jurídica

Erik Navarro Postado em 27/08/2019

O uso da tecnologia é uma ferramenta cada vez mais comum no impulsionamento de negócios que, por meio da análise de dados, podem ter pleno conhecimento do potencial de crescimento e formas de se chegar ao público pretendido para concretizar tal ascensão. É a chamada cultura data-driven e ela pode prestar enorme contribuição à área jurídica.

Mas não é apenas no impulsionamento de negócios que o uso de dados tem feito diferença, e especialmente no Direito, sua utilização pode ser ainda mais ampla. A gestão de um escritório ou departamento jurídico pode ser substancialmente beneficiada pelo uso de informações de diversos tipos.

Continue a sua leitura e saiba como a cultura data-driven se tornará uma realidade cada vez mais presente na área jurídica. Confira!

Data-driven e a Lei Geral de Proteção de Dados

O tratamento e a utilização de dados têm sido limitados legalmente, com o objetivo de  proteger a privacidade dos indivíduos, o que é um direito de todos. No ambiente virtual, isso implica basicamente em consentimento por parte do usuário, que passa a ser consultado mais vezes sobre o uso dos dados gerados por ele.

Inspirada na lei editada recentemente no  bloco europeu, a nossa legislação sobre o tema também garante que não haverá uso indevido de dados e confere ao usuário a prerrogativa de escolher para quais fins e até quando seus dados poderão ser utilizados.

Na advocacia, os processos judiciais e a administração da banca geram um volume elevado de dados, sobre os quais a rigidez sobre o uso não se faz tão presente. Justo o contrário, é desejável que o advogado tenha amplo acesso aos mesmos, visto que são utilizados em benefício do próprio cliente. Também pelo fato de a relação ser protegida por outros dispositivos legais que garantem o sigilo e a ética entre o profissional e o contratante.

Estrutura dos dados

A coleta dos dados não pode ser feita de forma desorganizada, pois isso dificultaria a sua utilização. Segmentar as fontes e espécies de informações é o primeiro passo para que elas possam ser usadas de forma intuitiva e otimizada.

Se a coleta de dados for feita sobre o desempenho da equipe, será possível identificar períodos de ociosidade e de baixo rendimento. O gestor poderá utilizar tais informações para alterar a dinâmica do trabalho para que a performance seja aperfeiçoada, o que deve ser uma constante em qualquer firma.

Concatenar os dados e deixá-los disponíveis para as equipes e profissionais que poderão utilizá-los é uma tarefa que pode parecer complicada em um primeiro momento, mas que fará toda a diferença na rotina de sua equipe. Para facilitar a sua experiência, veja abaixo quais dados você deverá coletar e organizar para inserir o seu escritório na cultura data-driven.

Tipos de dados necessários

A compreensão sobre quais tipos de dados farão a diferença na gestão e na atividade-fim do seu escritório ou departamento jurídico é o que servirá de norte para que sejam alcançados os objetivos almejados com a organização e uso de informações.

Se a busca é melhorar o relacionamento com a clientela, será necessário coletar informações sobre a satisfação dos seus contratantes. Uma pergunta comum a ser feita a eles é se recomendariam o serviço da sua firma para amigos e familiares. A partir dos resultados obtidos, você saberá o que não tem funcionado e, portanto, que deve ser modificado.

As ações a serem tomadas deverão guardar relação com as falhas descobertas na análise dos dados. Para que isso seja feito de forma eficaz, é necessário que os dados extraídos sejam relevantes, para que de fato possam ser transformados em informação útil para o escritório ou departamento jurídico.

Ciência de dados e estratégias jurídicas

Elaborar estratégias jurídicas é uma tarefa que também pode contar com o auxílio do uso de dados, e que passou a ser uma necessidade após a vigência do  novo código de processo civil. Com a ênfase dada aos precedentes judiciais, conhecê-los deve ser uma tarefa ininterrupta para quem exerce a advocacia.

Tendo como um de seus objetivos o fim da “loteria judicial” existente no país, onde cada juiz e tribunal tem um entendimento sobre a aplicação da lei, a adoção de novos métodos de vinculação de decisões ajuda a garantir a segurança jurídica, um dos maiores valores de uma democracia. O uso de dados, aliado à  inteligência artificial, é capaz de organizar estudos sobre as posições que hoje são dominantes nos tribunais do país.

Muitos  advogados sonham em criar precedentes nas ações que patrocinam e o uso de dados organizados pode auxiliá-los nessa tarefa. A boa aplicação do Direito, junto ao dever dos juízes de fundamentar de forma aprofundada suas decisões, faz com que o Direito aplicado ganhe relevância para pessoas alheias ao conflito sentenciado. O poder judiciário, agora, tem maior importância no aperfeiçoamento do Direito, visto que suas decisões podem atingir um número incalculável de pessoas, por meio dos precedentes gerados.

Conhecer a jurisprudência dos tribunais também pode inibir a judicialização de determinadas demandas, em razão da baixa probabilidade de êxito. Nesse caso, além de reconhecer o direito da parte contrária, é possível que a estratégia escolhida seja a autocomposição. A Conciliação e a Mediação também foram contempladas na nova legislação processual civil e são utilizadas para que as próprias partes cheguem à solução do conflito de interesses existente.

Como o  acesso à jurisdição é uma garantia constitucional, o advogado também pode buscar a distinção do caso concreto, em comparação com o precedente, bem como tentar superá-lo. Em relação ao último caso, a melhor oportunidade de suplantar um precedente é quando a lei sofre alterações e deixa de atrair a sua aplicação. Isso porque a legislação continua sendo fonte primária de direitos e deveres.

A prática jurídica e a gestão de firmas passará por significativas mudanças pelo uso de dados, em relação às estratégias jurídicas, e em questões como o relacionamento com clientes, controle dos recursos humanos, finanças, auditoria e gestão de tributos. Esses são alguns exemplos de áreas que merecem a atenção do  profissional que não quer se tornar obsoleto no mercado de trabalho.

Agora que você sabe como o data-driven já pode fazer parte da rotina de escritórios e departamentos jurídicos, aproveite para assinar a nossa newsletter! Mantenha-se bem informado e saia na frente rumo à advocacia do futuro!

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